A telha solar fotovoltaica é uma solução construtiva que combina a função de cobertura do telhado com a capacidade de gerar energia elétrica a partir da radiação solar. Em vez de instalar módulos fotovoltaicos sobre uma cobertura existente (como em sistemas fotovoltaicos convencionais), a própria telha passa a ser o elemento gerador, com células fotovoltaicas embutidas no material.
Introduzida no mercado como alternativa a sistemas fotovoltaicos convencionais, a telha solar surgiu para atender demandas específicas de projetos com restrições estéticas ou arquitetônicas, especialmente em edificações onde módulos aparentes sobre a cobertura não são desejáveis. A tecnologia combina eficiência energética e integração visual, mas apresenta particularidades técnicas, comerciais e de instalação que a diferenciam substancialmente dos sistemas fotovoltaicos tradicionais com módulos avulsos.
Neste artigo, você vai encontrar análise técnica sobre o que é a telha solar, como ela funciona, quais são os principais tipos disponíveis no mercado, uma comparação estruturada com sistemas fotovoltaicos convencionais, faixas de preço e critérios para avaliar se essa tecnologia é a mais adequada para cada projeto.
O que é telha solar fotovoltaica?
A telha solar fotovoltaica é um elemento construtivo que substitui a telha convencional (cerâmica, concreto, fibrocimento, entre outros materiais) e integra células fotovoltaicas em sua estrutura, gerando energia elétrica quando exposta à radiação solar. Diferentemente do sistema fotovoltaico convencional, em que módulos são fixados sobre uma cobertura já existente, na telha solar o próprio elemento de cobertura é o gerador de energia, o que resulta em maior integração arquitetônica.
Cada telha solar contém uma ou mais células fotovoltaicas (monocristalinas, policristalinas ou de filme fino, conforme o modelo) protegidas por uma camada de vidro temperado ou material polimérico resistente. As telhas são interligadas eletricamente, formando strings, que se conectam a um inversor, exatamente como acontece em sistemas convencionais com módulos fotovoltaicos.
O portfólio de telhas solares disponíveis no mercado pode ser classificado em dois eixos complementares:
- Por material do substrato: telhas cerâmicas (mantêm o aspecto tradicional de telha colonial), telhas de concreto (mais robustas, comuns em coberturas mais modernas), telhas de fibrocimento (opção com maior escala industrial), telhas de vidro (visual contemporâneo, ideal para arquiteturas específicas) e telhas de polímero (mais leves);
- Por tecnologia fotovoltaica embutida: monocristalina (eficiência típica de 15% a 20%, maior custo), policristalina (eficiência de 12% a 16%, custo intermediário) e filme fino como CIGS (eficiência de 10% a 13%, menor custo).
No mercado brasileiro, algumas marcas comercializam telhas solares fotovoltaicas, como Eternit (em parceria com a chinesa Tegos), Solar Group e outros fabricantes nacionais, com portfólio ainda em consolidação em comparação com o mercado maduro de módulos convencionais.
Como funciona a telha solar?
A telha solar funciona a partir do efeito fotovoltaico, princípio físico que permite converter a luz do sol em energia elétrica. Cada telha contém células fotovoltaicas de dimensões reduzidas (menores que as células de 182 mm típicas dos módulos convencionais) embutidas em sua estrutura, protegidas por vidro temperado ou material polimérico resistente. Quando a radiação solar atinge as células, os fótons transferem energia aos elétrons do material semicondutor, gerando fluxo elétrico contínuo.
As telhas solares são projetadas para se conectar eletricamente umas às outras, formando strings que compõem um sistema fotovoltaico integrado à edificação (BIPV – Building Integrated Photovoltaics). Esse sistema substitui as telhas convencionais e cumpre dupla função: cobertura da edificação e geração de energia solar para consumo próprio ou compensação junto à rede da concessionária.
A energia gerada pelas telhas é em corrente contínua (CC) e precisa ser convertida em corrente alternada (CA) pelo inversor, tornando-a compatível com a rede elétrica da edificação. Em sistemas on-grid, o excedente pode ser injetado na rede da concessionária pelo Sistema de Compensação de Energia Elétrica (SCEE), regulado pela ANEEL, com o Fio B vigente conforme a Lei 14.300/2022.
Tipos de telhas solares
Existem vários tipos de telhas solares disponíveis no mercado, cada uma com suas características e vantagens específicas.
Telhas solares de vidro, cerâmica e fibrocimento
A telha solar de vidro é conhecida por sua durabilidade e eficiência. Elas utilizam uma camada de células fotovoltaicas encapsuladas entre placas de vidro temperado, proporcionando alta resistência e longa vida útil. Essas telhas são ideais para regiões com várias mudanças climáticas, nas quais a durabilidade é uma prioridade.
As de cerâmica, por outro lado, combinam a estética tradicional da cerâmica com a funcionalidade fotovoltaica. Elas são mais indicadas para quem deseja manter a aparência clássica de um telhado de cerâmica, enquanto aproveita os benefícios da energia solar fotovoltaica.
Embora tenham uma eficiência ligeiramente menor em comparação com as telhas de vidro, elas oferecem um equilíbrio entre aparência e desempenho.
Já as telhas solares de fibrocimento integram células fotovoltaicas ao material tradicionalmente usado em coberturas, unindo resistência, leveza e geração de energia. Soluções como a Eternit Solar utilizam células de silício monocristalino integradas ao fibrocimento, permitindo substituir parte das telhas convencionais sem grandes alterações na estrutura.
Qual é o preço da telha solar no Brasil?
O custo de telhas solares fotovoltaicas no Brasil apresenta faixa ampla, variando conforme fabricante, tecnologia da célula fotovoltaica (monocristalina, policristalina, filme fino), potência por peça e material do substrato. Preços médios de referência no mercado brasileiro:
- Por metro quadrado instalado: entre R$760 e R$2.500 por m² de cobertura, conforme o modelo. Modelos nacionais, como a linha Eternit Tégula Solar (concreto), estão na faixa inferior, com valor médio próximo a R$750/m². Modelos planos ficam entre R$990 e R$1.170/m², enquanto modelos de fibrocimento ondulado podem chegar a R$2.100/m². Modelos importados ou com tecnologia integrada de ponta ocupam o teto da faixa, próximos a R$2.500/m²;
- Por Watt-pico (Wp) instalado: entre R$16,00 e R$28,00 por Wp, refletindo a complexidade específica da fabricação e da instalação de telhas fotovoltaicas em comparação a outros equipamentos do setor solar;
- Sistema completo instalado: entre R$16.000 e R$28.000 por kWp de potência instalada, incluindo telhas, inversor, cabeamento, mão de obra especializada de cobertura, instalação técnica e demais componentes necessários para o funcionamento do sistema. Como referência prática, um sistema residencial de 5 kWp em telhas solares tem custo entre R$80.000 e R$140.000 instalado.
Custo e retorno sobre investimento (ROI)
O ROI em sistemas com telha solar fotovoltaica no Brasil costuma ocorrer entre 8 e 12 anos, prazo superior ao de sistemas fotovoltaicos convencionais (4 a 6 anos em média). Essa diferença de retorno tem origem principal no custo por Wp instalado, que é 4 a 8 vezes maior nas telhas solares em comparação aos módulos convencionais, conforme análise apresentada em blocos anteriores do texto.
O ROI específico de cada projeto depende de fatores técnicos e regulatórios interligados:
- HSP da região: o Brasil apresenta faixas entre 4,5 h/dia no Sul e 6,5 h/dia no Nordeste, com impacto direto na geração anual;
- Fio B em vigor: conforme cronograma progressivo da Lei 14.300/2022, o Fio B em 2026 é de 60%, com aumento gradual até 100% em 2029 para sistemas fora do grupo GD I;
- Custo mínimo de disponibilidade: cobrado pela concessionária mesmo em meses com geração superior ao consumo (30 kWh para monofásicos, 50 kWh para bifásicos e 100 kWh para trifásicos);
- Bandeiras tarifárias: valores que não são compensados pelo SCEE, mas incidem sobre a energia efetivamente consumida da rede;
- Enquadramento tarifário: clientes do Grupo B (residencial e comércio pequeno) e Grupo A (industrial e comercial grande) têm dinâmicas de compensação diferentes.
Apesar do ROI mais longo, a telha solar agrega outros benefícios que podem justificar a escolha em projetos específicos, como a integração arquitetônica ao envelope construtivo, a valorização estética do imóvel (estimada entre 4% e 8% em estudos setoriais para sistemas fotovoltaicos em geral) e a substituição da cobertura tradicional em obras novas, aproveitando o investimento em material de cobertura para também gerar energia.
O sistema também gera créditos pelo Sistema de Compensação de Energia Elétrica (SCEE), regulado pela ANEEL: a energia injetada na rede é abatida do consumo em meses subsequentes, respeitando a validade de 60 meses para uso dos créditos, o que amplia o retorno efetivo do investimento ao longo do tempo.
Como financiar a instalação de telha solar fotovoltaica?
O financiamento é opção estratégica para reduzir o impacto do investimento inicial, especialmente em sistemas com telha solar, que apresentam custo total mais elevado que sistemas convencionais equivalentes.
No mercado brasileiro, plataformas de crédito especializadas em energia solar oferecem linhas específicas para o segmento, com prazos que podem chegar a 60 ou 84 meses e taxas competitivas quando comparadas a outras modalidades de crédito pessoal. Essas plataformas permitem simulação digital, aprovação com base em análise de crédito e integração com o processo comercial do integrador, facilitando a apresentação da proposta ao cliente final.
Para o integrador, incorporar a modalidade de financiamento à proposta comercial pode ser um diferencial importante na conversão de projetos. Em muitos casos, a economia mensal gerada pelo sistema fotovoltaico ajuda a compensar o valor da parcela do financiamento, reduzindo o impacto real do investimento no fluxo de caixa do cliente e facilitando a decisão de compra.
A Aldo Solar atua como distribuidora de equipamentos para energia solar, com foco em sistemas fotovoltaicos convencionais (módulos, inversores, estruturas de fixação, string boxes, cabos, DPS e demais componentes). O financiamento é oferecido por parceiros financeiros especializados, que podem ser contatados diretamente pelo integrador para estruturar propostas comerciais completas ao cliente final.
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Vantagens das telhas solares
Além da geração de energia limpa e da redução da conta de luz, as telhas solares fotovoltaicas apresentam diferenciais específicos que podem torná-las opção adequada em projetos com características particulares, especialmente aqueles com valorização estética ou restrições arquitetônicas. Confira as principais vantagens que a solução oferece.
Estética superior à das placas solares
Diferentemente dos painéis solares convencionais, que ficam fixados sobre a cobertura existente e podem alterar visualmente o design da construção, as telhas solares se integram ao próprio telhado como elemento construtivo, na categoria conhecida internacionalmente como BIPV (Building Integrated Photovoltaics).
O resultado é um visual mais discreto, com aparência próxima à de uma cobertura tradicional e sem a presença aparente de módulos fotovoltaicos.
Essa integração arquitetônica é particularmente valorizada em projetos residenciais de alto padrão que buscam unir sustentabilidade e design, em construções em áreas com restrições municipais específicas de cobertura (como áreas tombadas ou condomínios com regulamentos estéticos rígidos) e em edificações históricas, nas quais a intervenção visual precisa ser minimizada. Em todos esses cenários, a telha solar permite a geração de energia renovável, mantendo a estética original do imóvel.
Economia de energia
Como qualquer sistema fotovoltaico, as telhas solares geram economia mensal na conta de energia elétrica ao permitir que a edificação consuma sua própria produção durante o dia e injete o excedente na rede da concessionária. Esse mecanismo é regulado pelo Sistema de Compensação de Energia Elétrica (SCEE) da ANEEL, com regras específicas definidas pela Lei 14.300/2022, que estabelece o marco legal da geração distribuída no Brasil.
O excedente injetado na rede gera créditos que podem ser abatidos do consumo em meses subsequentes, respeitando a validade de 60 meses para uso dos créditos. Em 2026, o Fio B em vigor é de 60%, seguindo o cronograma progressivo previsto na Lei 14.300, com aumento até 100% em 2029. Esse componente reduz o desconto efetivo do sistema, mas não elimina a economia gerada, especialmente em sistemas bem dimensionados para o perfil de consumo da edificação.
Impacto ambiental
As telhas solares fotovoltaicas contribuem para a redução da pegada de carbono da edificação ao substituir consumo de energia da rede (que pode ter matriz parcialmente termelétrica em períodos de crise hídrica) por geração solar renovável e limpa. Ao integrar a geração diretamente na estrutura do telhado, a solução aproveita área que seria destinada apenas à cobertura, sem exigir nova área de implantação.
Em construções novas, o uso de telhas solares em substituição a telhas convencionais aproveita integralmente o envelope construtivo para geração de energia, alinhando a construção a padrões contemporâneos de eficiência energética e a certificações ambientais como LEED, AQUA e Selo Casa Azul da Caixa.
Flexibilidade de instalação
O portfólio de telhas solares disponíveis no mercado contempla diferentes materiais de substrato (cerâmica, concreto, fibrocimento, vidro, polímero), o que amplia a possibilidade de aplicação em variados tipos de cobertura tipicamente encontrados no mercado brasileiro. Isso permite compatibilizar a solução fotovoltaica ao estilo arquitetônico do imóvel e às normas construtivas locais.
Em coberturas cerâmicas tradicionais, por exemplo, o uso de telhas solares cerâmicas mantém o padrão visual da região. Em edificações modernas com cobertura de concreto ou fibrocimento, existem modelos específicos que dialogam com essa estética. A escolha do modelo é definida no projeto arquitetônico, em conjunto com o dimensionamento fotovoltaico, considerando compatibilidade estrutural, orientação da cobertura e área útil disponível para geração.
Vida útil e resistência das telhas fotovoltaicas
A flexibilidade das telhas solares fotovoltaicas vem da própria concepção da tecnologia, como cada telha é um elemento construtivo modular, ela pode substituir parte ou totalidade da cobertura, ser combinada com telhas convencionais nas áreas onde a geração não é necessária e se adaptar a diferentes padrões arquitetônicos conforme o modelo escolhido.
Essa característica se traduz em quatro possibilidades práticas de aplicação:
- Cobertura completa ou parcial: projetos podem trabalhar com telhado integralmente fotovoltaico ou aproveitar apenas as áreas com melhor exposição solar, complementando o restante com telhas convencionais compatíveis;
- Obras novas e retrofits: em construções novas, a telha solar substitui a cobertura desde o projeto, otimizando custo de material; em retrofits completos de cobertura, entra no lugar da telha existente sem exigir estrutura secundária de fixação;
- Adaptação a diferentes estilos arquitetônicos: o portfólio de mercado cobre desde modelos com formato de telha colonial cerâmica (aparência tradicional) até modelos com estética contemporânea em vidro ou concreto, permitindo compatibilidade com o padrão visual do imóvel;
- Aplicação em projetos com restrições estéticas: áreas tombadas, condomínios com regulamento visual restritivo e edificações com projeto arquitetônico integrado, onde módulos convencionais aparentes seriam inadequados.
A escolha do modelo específico é definida em conjunto pelo arquiteto e pelo integrador responsável pelo dimensionamento fotovoltaico, considerando estilo do imóvel, área útil da cobertura, orientação em relação ao norte solar e potência total desejada.
Telha solar ou painel solar convencional: qual escolher?
A escolha entre telha solar fotovoltaica e sistema fotovoltaico convencional com módulos avulsos depende de três dimensões que devem ser analisadas em conjunto com os objetivos do projeto, o orçamento disponível e as características arquitetônicas do imóvel. A tabela abaixo consolida as principais diferenças técnicas e comerciais entre as duas tecnologias:
| Critério | Telha solar fotovoltaica | Sistema fotovoltaico convencional |
| Estética | Integrada ao envelope construtivo | Módulos aparentes sobre a cobertura |
| Custo por Wp instalado | R$ 8,00 a R$ 15,00 | R$ 1,00 a R$ 2,00 |
| Sistema completo (chave na mão) | R$ 15.000 a R$ 25.000/kWp | R$ 3.500 a R$ 5.000/kWp |
| Payback médio | 8 a 12 anos | 4 a 6 anos |
| Eficiência de conversão | 10% a 18% (varia por tecnologia) | 20% a 23% (linhas N-Type TOPCon) |
| Otimização de orientação | Limitada pelo ângulo do telhado | Ajustável com estruturas específicas |
| Vida útil / garantia de performance | 20 a 25 anos | 25 a 30 anos |
| Manutenção | Acesso à cobertura para troca de peças | Substituição pontual de módulos |
| Portfólio no Brasil | Em consolidação (Eternit, Solar Group, entre outros) | Maduro (dezenas de fabricantes Tier 1) |
| Ideal para | Obras novas com valorização estética, áreas tombadas, projetos com restrição visual | Residencial, comercial e industrial em geral, retrofit sobre cobertura existente |
Na prática, para a grande maioria dos projetos brasileiros, o sistema fotovoltaico convencional com módulos avulsos apresenta melhor custo-benefício, com payback financeiro significativamente menor, eficiência de conversão superior e portfólio maduro de fabricantes e componentes complementares (inversores, estruturas, string boxes, cabos, DPS).
A telha solar fotovoltaica encontra aplicação mais adequada em cenários específicos em que a integração arquitetônica é decisiva: projetos residenciais de alto padrão com valorização do design, edificações em áreas tombadas com restrições estéticas de patrimônio, condomínios com regulamentos visuais restritivos e construções novas em que a arquitetura foi concebida com a solução fotovoltaica integrada desde a fase de projeto.
Para o integrador, a orientação técnica ao cliente deve considerar essa análise multidimensional.
Para quais projetos a telha solar é recomendada?
Os principais cenários em que a telha solar é indicada são:
- Obras novas: quando o telhado ainda está em fase de planejamento, a instalação da telha solar para telhado pode ser integrada ao projeto arquitetônico desde o início, facilitando a execução e evitando adaptações futuras na estrutura.
- Reformas de cobertura: quando o imóvel já precisa substituir as telhas convencionais, a solução pode aproveitar essa etapa para incorporar a geração de energia, reduzindo o custo adicional em comparação a uma instalação feita separadamente.
- Projetos com restrições estéticas: condomínios, residências de alto padrão e construções com exigências arquitetônicas podem se beneficiar do telhado fotovoltaico integrado, já que a tecnologia mantém uma aparência mais uniforme em comparação aos módulos tradicionais.
- Empreendimentos de alto padrão: em imóveis onde design, acabamento e valorização arquitetônica têm grande peso na decisão, a telha solar vale a pena por unir geração de energia e estética em uma única solução.
Projetos em que a telha solar não é recomendada
A telha solar fotovoltaica não é recomendada em projetos com muito sombreamento, cobertura de difícil manutenção ou clientes que priorizam menor investimento inicial e retorno mais rápido. Nesses casos, os painéis solares convencionais costumam oferecer melhor custo-benefício.
Aos integradores, é importante avaliar o perfil do cliente e os objetivos do projeto antes de recomendar a tecnologia. A escolha correta ajuda a garantir maior satisfação e uma proposta comercial mais alinhada às expectativas do consumidor.
Fabricantes de telhas solares disponíveis no Brasil
O mercado brasileiro de energia solar vem se expandindo e, com isso, cresce também a oferta de telhas solares fotovoltaicas. Hoje já é possível encontrar fabricantes nacionais e internacionais que disponibilizam modelos adaptados para diversas construções, com foco em desempenho solar e estética.
Telha solar Eternit
A Eternit foi uma das pioneiras no Brasil ao lançar telhas solares fotovoltaicas em escala comercial. A sua marca de telha solar brasileira, a Tégula Solar, combina resistência com dimensões semelhantes às telhas convencionais de concreto. Atualmente, existem dois modelos comercializados no Brasil:
| Modelo | Potência nominal | Geração média estimada | Características |
| Eternit Solar Ondulada-F140 2,44 | 142,2 Wp | Até 17,78 kWh/mês por telha | Telha de fibrocimento com 5 módulos fotovoltaicos integrados e 115 células de silício monocristalino |
| Eternit Solar Ondulada-FF144 2,44 | 144 Wp | Aproximadamente 18 kWh/mês por telha | Telha de fibrocimento com módulos fotovoltaicos integrados e 120 células de silício monocristalino |
Na prática, uma cobertura com cerca de 32 telhas solares Eternit pode atingir aproximadamente 4,5 kWp de potência instalada. Esse cálculo considera os modelos Ondulada-F140 2,44, com 142,2 Wp por telha, e Ondulada-FF144 2,44, com 144 Wp por telha.
Essa capacidade pode atender uma parcela significativa do consumo de uma residência, dependendo da localização, hábitos de consumo e condições de instalação do sistema.
Outras marcas e fabricantes no mercado
Além da Eternit, outras empresas também estão trazendo inovações para o setor, como a Telite, Solarstone, GoodWe e Tesla, de Elon Musk.
- Telite: é uma empresa nacional que desenvolve telhas solares de polímero reciclado com módulos fotovoltaicos embutidos, trazendo modelo de sustentabilidade a eficiência energética;
- Solarstone: fabricante europeia de soluções fotovoltaicas integradas à construção (BIPV), com telhas solares voltadas para projetos residenciais e comerciais;
- GoodWe (linha Sunshine): fabricante global de soluções fotovoltaicas que possui operação no Brasil e oferece a linha Sunshine, com telhas fotovoltaicas de vidro duplo temperado;
- Tesla (Solar Roof): referência global, a fabricante Tesla ainda não atua oficialmente no Brasil, mas já existe a importação por meio de distribuidoras especializadas. As telhas do modelo Solar Roof se destacam pela durabilidade, alta potência e acabamento sofisticado.
Em termos de preço, as opções nacionais, como a telha solar Eternit e a Telite, ainda são as mais acessíveis e com entrega mais rápida, enquanto modelos importados podem chegar com custos mais elevados devido a impostos e logística.
Como calcular quantas telhas solares você precisa?
O dimensionamento de um sistema fotovoltaico com telha solar segue a mesma lógica utilizada em projetos com módulos convencionais, considerando consumo, irradiação solar do local e perdas típicas do sistema. O passo a passo:
- Levante o consumo médio mensal da edificação utilizando as últimas 12 contas de energia elétrica, obtendo o consumo em kWh/mês. A média das últimas 12 contas oferece referência mais confiável que uma leitura única, pois considera variação sazonal;
- Identifique a HSP (Horas de Sol Pleno) da região, dado que varia significativamente pelo país: Nordeste tem HSP entre 5,5 e 6,5 horas/dia; Centro-Oeste e Sudeste entre 5,0 e 5,5; Sul entre 4,5 e 5,0. Essa informação está disponível em atlas solarimétricos, como o Atlas Brasileiro de Energia Solar do INPE;
- Calcule a potência necessária do sistema aplicando a fórmula: Potência (kWp) = Consumo mensal (kWh) ÷ (HSP × 30 × PR). O PR (Performance Ratio) representa a eficiência global do sistema, considerando perdas por cabeamento, inversor, sujeira, temperatura e mismatch. Para sistemas bem dimensionados, o PR típico é 75% a 80%;
- Converta a potência em número de telhas dividindo o resultado pela potência nominal de cada unidade. Modelos disponíveis no mercado brasileiro, como a Eternit Tégula Solar, têm potência típica entre 45 Wp e 55 Wp por peça, conforme a versão comercializada.
Como exemplo prático, considere uma residência no Sudeste com consumo médio de 450 kWh/mês. Aplicando HSP de 4,5 horas/dia e PR de 80%:
- Potência necessária: 450 kWh ÷ (4,5 × 30 × 0,80) = 4,17 kWp
- Número aproximado de telhas (com 50 Wp por peça): 4.170 W ÷ 50 W = 84 telhas
Este cálculo representa a estimativa inicial de dimensionamento. O número final pode variar conforme ajustes do projeto executivo: orientação e inclinação da cobertura em relação ao norte solar, sombreamento parcial de árvores ou edificações vizinhas, área útil efetivamente disponível na cobertura, compatibilidade com o inversor especificado e coordenação com telhas convencionais complementares para completar a cobertura.
Instalação de telhas solares
A instalação de telhas solares fotovoltaicas envolve três dimensões técnicas simultâneas:
- Estrutural (a telha cumpre função de cobertura);
- Elétrica (é elemento gerador conectado ao sistema fotovoltaico);
- Normativa (deve atender às normas brasileiras aplicáveis).
Por essa característica multidimensional, a instalação deve ser conduzida por integrador com responsável técnico habilitado (com ART do CREA), preferencialmente com experiência específica em telhas solares e vínculo com a rede de assistência técnica do fabricante.
A conformidade normativa inclui a ABNT NBR 16690:2019 para o lado CC do sistema fotovoltaico, a ABNT NBR 5410 para o lado CA e as instalações elétricas em geral, e a NR-35 para trabalho em altura durante a execução da obra. Em edificações com SPDA, a NBR 5419 também é referência aplicável.
Requisitos técnicos
Antes da instalação, a análise técnica deve avaliar vários aspectos do projeto e da edificação:
- Estrutura de sustentação: o madeiramento ou estrutura metálica do telhado deve suportar o peso das telhas solares, que pode ser ligeiramente superior ao das telhas convencionais equivalentes. Em retrofits, é importante avaliar o estado do madeiramento existente;
- Orientação da cobertura: no Hemisfério Sul, a orientação ideal é a face norte, com desvios de até 30° para leste ou oeste apresentando perda pouco significativa (2% a 5%). Orientações leste ou oeste puras reduzem a geração anual em cerca de 10% a 15%;
- Inclinação: a inclinação ideal fica próxima da latitude do local (variando entre 15° e 25° para a maior parte do território brasileiro). Inclinações muito baixas (abaixo de 10°) reduzem a geração e favorecem o acúmulo de sujeira;
- Análise de sombreamento: é obrigatória antes da instalação, sempre considerando edificações vizinhas, árvores, chaminés, caixas d’água e outros elementos que possam projetar sombra sobre as telhas ao longo do dia e das estações;
- Área útil disponível: deve comportar a potência necessária para atender ao consumo previsto, com margem para eventuais expansões futuras;
- Compatibilidade elétrica: o dimensionamento das strings, a compatibilidade com o inversor especificado, a proteção adequada com DPS e o quadro elétrico existente devem ser verificados em conjunto;
- Vedação da cobertura: aspecto crítico em telha solar, já que qualquer falha na vedação compromete simultaneamente a geração de energia e a proteção da edificação contra intempéries.
Qual a área de telhado necessária?
A quantidade de telhas solares e a área ocupada dependem do consumo de energia da edificação, da HSP da região e do Performance Ratio do sistema. Como referência inicial, considerando os modelos Eternit Solar Ondulada (144 Wp por telha, área aproximada de 2,44 m² por peça), HSP média de 4,5 h/dia (referência Sudeste) e PR de 80%, o dimensionamento aproximado fica:
| Consumo médio mensal | Potência do sistema | Quantidade estimada de telhas | Área aproximada de cobertura
|
| Até 250 kWh/mês | 2,3 kWp | 17 telhas | 42 m² |
| Até 400 kWh/mês | 3,7 kWp | 26 telhas | 63 m² |
| Até 600 kWh/mês | 5,6 kWp | 39 telhas | 95 m² |
| Até 800 kWh/mês | 7,4 kWp | 52 telhas | 127 m² |
| Até 1.000 kWh/mês | 9,3 kWp | 65 telhas | 159 m² |
Os valores acima são referenciais e devem ser ajustados no projeto, considerando fatores específicos da instalação: HSP real da região (que varia de 4,5 a 6,5 horas/dia no Brasil), Performance Ratio efetivo do sistema, orientação e inclinação da cobertura, sombreamento pontual e coeficiente de segurança adotado pelo integrador.
Dicas de manutenção
As telhas solares exigem pouca manutenção, mas alguns cuidados básicos ajudam a preservar sua eficiência e aumentar a vida útil do sistema.
- Inspeções periódicas: é importante verificar o estado das telhas a cada 6 meses ou após chuvas fortes e ventanias, observando possíveis rachaduras, deslocamentos ou acúmulo de sujeira;
- Limpeza regular: a limpeza das telhas solares deve acontecer pelo menos 1 a 2 vezes por ano, utilizando água e pano macio, sem produtos químicos abrasivos;
- Remoção de sujeira e detritos: folhas, poeira e fezes de aves podem reduzir a captação de energia; então mantenha o telhado sempre livre de obstruções;
- Checagem elétrica: é preciso um profissional habilitado para inspecionar as conexões elétricas a cada 12 meses, a fim de garantir a segurança dos equipamentos;
- Acompanhamento da geração de energia: use o monitoramento do sistema para acompanhar a produção de energia e identificar qualquer queda de desempenho e necessidade de manutenção corretiva.
Onde comprar telha solar fotovoltaica no Brasil?
A aquisição de telha solar fotovoltaica no Brasil geralmente é feita diretamente com os fabricantes ou por meio de distribuidoras especializadas no segmento, que atendem tanto projetos residenciais quanto obras comerciais. Marcas como Eternit, Telite e Solar Group operam com canais próprios ou redes de parceiros especializados em cobertura fotovoltaica integrada, sendo esse o caminho mais direto para projetos que efetivamente optam pela solução.
Para a maioria dos projetos fotovoltaicos brasileiros, no entanto, a orientação técnica leva ao sistema convencional com módulos avulsos, por três motivos consolidados ao longo deste texto: retorno financeiro significativamente mais rápido (4 a 6 anos versus 8 a 12 anos), custo por Wp instalado quatro a oito vezes menor e maior maturidade de mercado nacional, com dezenas de fabricantes Tier 1, ampla oferta de componentes complementares e rede consolidada de assistência técnica.
Neste cenário, a Aldo Solar, maior distribuidora de energia solar do Brasil e com mais de 40 anos de história, é referência em sistemas fotovoltaicos convencionais para integradores em todo o país. Seu portfólio inclui módulos das principais marcas do mercado (Leapton, Jinko, LONGi, DAH, OSDA, Astronergy), inversores (Growatt, Deye, GoodWe, Weg), estruturas de fixação CCM, string boxes, DPS, cabos, conectores e demais componentes necessários para projetos residenciais, comerciais e industriais.
Para o integrador que atua com projetos fotovoltaicos e recebe consultas sobre telha solar, essa análise técnica ampliada ajuda a orientar o cliente com honestidade e precisão. Em cenários em que a integração arquitetônica é decisiva (residências de alto padrão, áreas tombadas, projetos com restrições estéticas), a telha solar pode ser encaminhada aos canais especializados. Nos demais projetos, o sistema convencional com módulos avulsos apresenta melhor relação custo-benefício, com previsibilidade técnica e financeira comprovadas.

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